Quando foi que paramos de ser criança?

 

Deixamos de ser criança quando vimos o mundo real, a imaginação fica escondida e o cotidiano nos toma da nossa própria existência. Pesado, né? Mas vamos com calma, primeiro vamos às flores e depois aos espinhos. Você se lembra de quando era criança? Lembra de quando a sua única preocupação era: com o que vou brincar hoje? Escolinha? Pique e pega? Não, melhor brincar de casinha! Enfim, o universo das brincadeiras nunca tinha fim; quando cansávamos de uma, logo corríamos para outra, e o dia passava como um raio.

Lembro-me que tive a melhor infância de todas, tinha brinquedos, livros, minha irmã e minhas primas para brincarem. Brincávamos com terra, com plantas, dentro e fora de casa. Eu, particularmente, na maioria do tempo estava em cima de uma árvore, geralmente na mangueira, comendo manga verde com sal, e convivi com muitos animais. Não morava em fazenda, mas no quintal dos meus avós tinha cachorros, gatos e pássaros. Antes do meu nascimento, tinha galinhas, porcos. E também bastante plantas: rosas, orquídeas, azaleias, hortênsias, gérberas, gerânios. E as frutíferas: mangueiras, laranjeiras, abacateiro, mexeriqueiro, goiabeira, limoeiro, bananeira, mamoeiro...

A minha imaginação sempre foi fértil, sempre fui muito criativa e logo muito cedo aprendi a ler e a desenvolver o gosto por livros. Lembro do livro de receitas da minha mãe e dos da minha avó e de um de plantas medicinais (quando tinha oportunidade eu catava algumas plantas na rua e colocava entre as folhas do livro), sem falar do que tínhamos sobre princesas, e confesso que até hoje adoro leituras infanto-juvenis, elas me trazem o gosto da infância, o gosto de apenas brincar e nada mais.



Além das brincadeiras e livros, eu sempre adorei desenho animado, acordava direto e ligava a TV em algum programa de desenho. Acho que essa era a rotina de muitas crianças dos anos 90 e 2000. Como não tínhamos muito dinheiro para viagens e passeios, além daqueles promovidos pela escola, a diversão era dentro de casa, no quintal e na rua (naquela época era seguro brincar na rua).

Os filmes também eram a minha diversão, mas ficávamos limitados aos horários da Sessão da Tarde, Cinema em Casa, TV Globinho, Cine Espetacular, Tela de Sucessos, Cine Aventura, Temperatura Máxima, Tela Quente, Domingo no Cinema, Sessão Livre e muitos outros.

Ah, não posso esquecer das novelas, sim! As novelas também fizeram parte da minha infância. Brincávamos de reproduzir as cenas das novelas que eram exibidas na tarde, ou noite anterior, era muito divertido porque nem sempre lembrávamos as falas e sempre tínhamos que "regravar" as cenas porque alguém lembrava de que estávamos esquecendo daquele tapão que a fulana deu bem na cara da outra, como eu disse antes; um universo de brincadeiras. Queríamos até mesmo sermos órfãs para abitarmos no orfanato mais maravilhoso do mundo, o Orfanato Raio de Luz, para dançar e cantar o dia todo.

Nesse universo ainda sobrava tempo para sonharmos em sermos grandes artistas da música, e éramos a integrantes perfeitas do Rouge, sabíamos as letras e coreografias, na verdade nos arrasávamos!

Como eu disse, essas são as flores, e os espinhos são crescer. Reparem quando assistirem a uma entrevista ou lerem um artigo: quando uma pessoa é questionada sobre qual fase da vida ela tem saudades e, se pudesse voltar, para qual fase ela voltaria, em grande maioria, as respostas são a infância. Porque, de verdade, é a melhor fase das nossas vidas! Saímos do forno e estamos descobrindo o mundo e apenas sendo felizes.

E sabe o que é legal? Podemos, sim, como adultos, vivermos as flores, nos conectarmos com a nossa criança, com os sentimentos, descobertas e felicidade que a infância nos trouxe. Não precisamos esquecer de que os boletos estão ali e que eles não vão desaparecer piscando os olhos. Ou que a dor de crescer e enfrentar os medos, as dúvidas, as escolhas não existem; ela existe e vai existir independentemente de querermos ou não! Podemos deixar tudo mais leve, mais fácil e termos a certeza de que vamos errar em algumas escolhas e que, de verdade, está tudo bem! Não precisamos levar a culpa a um nível de dor e sofrimento tão grande que nos impeça de sonharmos de novo, de novo e de novo.

Lembre-se: está tudo bem em crescer e, às vezes, se sentir perdido, dê-se tempo! Tempo para viver, porque, assim como a infância passa rápido, a nossa existência também. Volte a ser criança, se não pelo decorrer do processo da vida adulta, pelo menos por hoje! Mesmo que você, assim como eu tenhamos perdidos pessoas importantes, que nos moldaram, nos educaram, protegeram! Guarde essas pessoas para sempre no seu coração.

E não importa onde esteja, com quem esteja, em que situação, apenas hoje pare por alguns minutos e lembre de como é ser criança, como você tinha fé na vida, uma esperança que ninguém nunca te falou, mas você sentia. Mesmo quando teve uma infância ruim, você tinha fé que algo ia mudar, e hoje você pode mudar. Não existe receita, não é um guia em 10 passos ou um “7 em 7”, esqueça essa baboseira e não se compare aos outros, apenas olhe para quem você é, quem se tornou e traga a criança que foi, que poderia ter sido, mas que será. Porque, de verdade, nunca é tarde, até ser tarde! E ainda não é tarde!

E sempre que precisar retornar à infância, saiba que neste blog você terá a maior fã dessa fase das nossas vidas. Sempre se sinta bem-vinda aqui! Me mande um oi aqui nos comentários, lá no Instagram ou YouTube. Eu estarei aqui!

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Fonte das imagens: autoral, e segue todas as orientações da: Lei nº 15.211/2025

Quando foi que paramos de ser criança? Quando foi que paramos de ser criança? Reviewed by Ana Lima on 10/12/2026 Rating: 5

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