Neuromancer
em linhas curtas é uma leitura atemporal, futurista e difícil, não só porque
retrata fielmente o nosso futuro (que não se encontra longe, e que será totalmente
ferrado! Com a sociedade apodrecida sob os mais belos dos Neons) como também porque
o autor William Gibson nos joga em um mundo futurista sem explicar as regras ou
os termos técnicos, ele usa gírias rápidas, frases curtas e pula detalhes do
cenário.
Como
precursor do Cyberpunk, Neuromancer foi escrito para informar que esse é o futuro,
tudo aqui é uma crítica a sociedade, as corporações, a tecnologia, a violência,
a miséria, aos vícios, a dominação da mente e corpos, a fuga da realidade. O próprio
Henry Case, é um assassino de aluguel, viciado e quebrado, que luta apenas para
saciar seus vícios, ganhar uma grana e talvez curar seu corpo. Ele é vítima e engrenagem,
e Gibson deixa claro que em Neuromancer não existem heróis, isso aqui é do
jeito que é, ponto final!
Com
uma leitura tão difícil é normal não se interessar pelo livro, certo? Errado e,
é aqui que mora a genialidade desse livro, pois mesmo com a barreira linguística
e a narrativa rápida, o fato de Gibson escancarar a violência, vícios em drogas,
em bebidas, o vício em está em suspensão (na Matrix), o crescimento populacional
e tecnológico desenfreado, o poder das grandes corporações, ele cria no leitor
um choque cultural e moral.
E
digo mais: Gibson é tão inteligente que usa a metalinguagem para denunciar o leitor
contemporâneo, com uma percepção aguçada do que ele presenciava no seu presente
como uma premonição de que o futuro é rápido, veloz, muitos dados, muitas informações
exigindo o máximo das pessoas, aqui dos leitores. Gibson te força a
experimentar o bombardeiro de informações, tão comum hoje não?
E
de forma algum quero dizer que o leitor não possa gostar do livro, é obvio que você
tem o direito de não gostar de qualquer livro, autor e gênero. Enfim, essa não
é a questão, pois aqueles que estão dispostos a ter entrar na Matrix encontrará
uma recompensa, que se chama virada de chave mental.
Para além do livro, outras histórias têm
apresentado narrativas mastigadas, lineares e confortáveis, o que desenvolve no
leitor um sentimento de alienação consumerista, assim como os cidadãos
alienados do Sprawl, que preferem plugar um chip de ilusão na cabeça a encarar
a complexidade da realidade. O livro não é apenas uma distopia nas páginas; ele
expõe a nossa própria fragilidade cognitiva diante das telas e do consumo
rápido dentro e fora delas. Se mesmo assim não gostar, ok, cada leitor tem seu
momento, mas alerto que perderá a percepção de uma obra fascinante.
Neuromancer
é uma leitura importante não só pelo fato de ele ter deixado de ser apenas uma
previsão do futuro para se tornar o diagnóstico exato do nosso presente (o futuro
de Gibson). E lê-lo não é um ato apenas de consumir um clássico da ficção
cientifica, e sim um exercício de confronto a realidade, tudo aquilo que se passa
no mundo de Neuromancer bateu na nossa porta, se sentou no sofá e agora assiste
a nossa destruição.
Curiosidade: Será lançado em 2027 pela Apple TV uma série baseada neste livro e espero que eles consigam de verdade condessar todo este livro nela. Será estrelado por:
Dicas
de referências de filmes: Vingador do futuro, Cowboys & Aliens, o próprio Matrix....
Gênero
Cyberpunk:
Me conta aqui, já leu algo assim? Já se aventurou pela Ficção Cientifica e o Cyberpunk? Eu nunca tinha lido e amei!
Fonte das imagens: Autoral e desenvolvida no Canva.



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Oii, agradeço a visitinha! espero que tenha gostado, sua opinião é muito importante!
Bjus!